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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Visita

à noite ela prefere a meia luz
de dia gosta de nos olhar
no grande espelho da porta

sua risada é o melhor que há

quando sai do banho
finge que não a estou vendo
e se seca
e se veste

pergunta se vi
seu secador de cabelos
digo que não

e anda descalça
pra lá e pra cá
com dreadlocks
e penas de pavão.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sinfonias inacabadas que não saem da tua mente

Às vezes eu me pergunto
onde estará Nina
espero que esteja bem
agora longe da minha agonia

Ana foi à Serra
disse que talvez nem volte

Elas e outras
sumiram
de uma forma
ou outra

Seria demais
pedir que ficassem

Os dias passarão
tardes
noites
inverno
verão
fim de semana
fim do mês
fim do ano

muito rápido

e já não tenho tanto tempo
não há retorno
fui longe demais.

A pior coisa que tenho a dizer é que é tudo verdade

as relações humanas
são um saco
poderia viver tranquilamente
sem isso
não teria enlouquecido
nem beberia tanto
não teria adoecido

escuto grilos agora

é a minha dor de cabeça
que não passa nunca
é essa bagunça
incontáveis bitucas
é o amargo disso tudo

as relações humanas
me esgotam
e quando simplesmente
caio fora
elas não entendem
o quão doloroso é pra mim

garotas limpas e decentes
não conseguem entrar
no meu mundo
prefiro poupá-las
do horror e caos
que fodem meu cérebro
diariamente

café com torradas
risadas
um sono tranquilo
vida saudável

são coisas distantes

mas torço que passe
e até me imagino
achando graça
disso tudo.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Vida

seja verdadeira
esta noite
seja de verdade
caminhei demais
trouxe bebida
e cigarros
esteja lá
esteja aqui

o dia foi um saco
engoli sapos
e essa merda toda

seja de verdade
esta noite
enfrentei multidões
exércitos
e o escambau

quero mergulhar
em teu cabelos castanhos
e poder dizer
que essa porra toda
ainda vale a pena.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Das armadilhas em que a gente cai

Um amor de borracha,
látex,
desesperado
a eterna luta
entre paus e bucetas
disputas
a corrida
coito
catarse

o desastre.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Fardo

quando poderei visitá-la de novo,
eu pergunto
sei lá, ela me diz

e me preparo
para nunca mais vê-la

talvez diga que não está
quando eu ligar
pedindo-a que desça
para abrir o portão do prédio
talvez esteja com outro cara
talvez nem atenda

provavelmente voltarei para casa
com um fardo de cervejas na mochila
pesando mais do que deveria
e verei casais saudáveís
dentro do trem
desejarei matar a todos

com sangue no olho
sem amor
fechando cortinas
apagando todas as luzes

beberei todo o fardo de cervejas sozinho
me preparando
para nunca mais vê-la.

sábado, 20 de abril de 2013

Alma

-Pode vir, e traga bastante cerveja! - ela me disse.
Paguei a conta, levei umas latas
e fui ao seu apartamento
e a comi violentamente
despejei toda minha agonia
dormimos agarrados
e no dia seguinte
não houve nada de mais

Beijos sôfregos
Corpos transando sem alma.